Thursday, March 08, 2007


No final da noite, enquanto se dirigia á paragem de autocarro e a escuridão a engolia por completo, viu aproximar-se uma moto que brilhava á luz amarelada dos poucos candeeiros.
Nela vinha um homem vestido de preto que parou junto de si.
- Queres boleia? - disse numa voz grossa mas suave, pausada, olhando-a nos olhos que já não se encontravam tapados pela viseira. Uns olhos castanhos normais, mas doces e de certa forma inocentes.
- Cerrou a mão no interior do casaco onde transportava o seu bastão extensível.
- Porque haveria de querer? – perguntou em tom desconfiado.
- Porque é de noite e deves estar cansada.
Algo nele a fez baixar todas as suas defesas e deixar-se levar por aqueles olhos de criança.
- Tens capacete para mim?
- Tenho – disse estendendo a mão e apresentando-lhe um capacete preto.
Montou na mota e indicou-lhe o caminho até perto de casa mas sem o deixar saber onde era a sua morada.
- Deixa-me aqui se não te importas.
Tiraram ambos o capacete e ela pode ver-lhe a cara.
Condizia na prefeição com aquilo que os olhos deixaram adivinhar: proporcional, harmoniosa, enfim, um conjunto agradável e, aparentemente, inocente.
- Obrigado pela boleia.
- De nada. Se te voltar a ver dou-te outra.
- O que queres em troca?
- O que tu quiseres dar. Se quiseres dar alguma coisa.
Riu-se. Uma gargalhada seca. A mesma que costumava dar quando ouvia insinuações ou elogios por parte de outros homens…era sempre o mesmo…sempre os mesmos homens…
Inclinou-se e pôs-lhe os dedos no queixo pressionando-o levemente. Puxou-o para si e beijou-o.
Foi um beijo calmo, sem pressas, em suma, agradável.
Pela primeira vez em muito tempo sentiu-se arrepiar com aqueles lábios que lhe tiravam o folgo e todo o calor do corpo.
Sentiu os lábios frios, um frio vindo do peito que lhe percorrera todo o corpo para no fim se espalhar nos seios.
Quando pararam olho-o e achou-o lindo.
- Queres ir jantar comigo amanhã?
- Pode ser. Onde?
- Posso vir aqui buscar-te…
- Tudo bem, fica combinado.

Foram jantar no dia seguinte.
Ele levou-a a um restaurante agradável. Tiveram uma conversa casual:
- Qual é a tua profissão? - quis saber ele
Hesitou. Mas que raio de pergunta! Tinha que começar logo pela mais difícil?!
- Sou secretaria numa empresa.
- Qual?
- Mas que coisa! – pensou – Isto é algum interrogatório?! Lembrou-se então do emprego que um dia a sua mãe tivera e então optou por contar essa história.
- Bom, agora é a minha vez. Em que é que trabalhas?
- Sou polícia.
Bolas! Na boca do inimigo!
No final do jantar, ele convidou-a para ir a uma discoteca.
Seguiram pela 24 de Julho até ás Docas.
Há tanto tempo que não se divertia á noite.
Saiu do carro e ele pegou-lhe na mão para a ajudar.
O rio estava lindo: preto, como ela gostava, com umas luzes douradas e a ponte vermelha erguendo-se no meio do rio e conduzindo a visão ate ao Cristo Rei, lá no alto iluminado.
Entraram atraídos pelo som da música e da batida ritmada.
Assim que acabaram a primeira bebida, foram dançar.
Começou a rodar o corpo, ondulando as mãos e deixando-se levar pela música como se esta lhe puxa-se os membros e a tomasse por completo guiando-a como se de um homem se trata-se.
Sentiu os braços dele abraçarem-na pela cintura e apertarem-na de encontro ao seu corpo sentindo-lhe o calor e os músculos bem definidos.
Há muito tempo que não estava com um homem tão agradável.
Sentiu as mãos dele descerem até ás suas ancas e a balançarem-na de um lado para outro.
Sentiu depois um frio na barriga e umas mãos quentes percorrerem-lhe o ventre. A boca dele no seu pescoço, as mãos que depois já estavam nos seus ombros, a respiração nas suas orelhas, o cheiro agradável e quente que vinha dele…virou-se e não quis resistir.
Beijou-o desejando-o…desejando com aquele beijo tirar-lhe todo o calor e tê-lo no seu corpo sentindo-o de todas as formas com todo o seu ser.
Continuaram numa dança sensual até abandonarem o bar.
Sentaram-se no carro dele e foram para sua casa.
Entraram e sentaram-se no sofá.
- Espero k não penses que temos…
Pôs-lhe o indicador sobre os lábios em sinal de silêncio. – Eu sei. – murmurou ela - Eu não espero nada. Não te preocupes.
Pegou-lhe na mão e levou-a para o quarto deixando para trás a mala e os casacos.
A escuridão do quarto envolveu-os deixando ver apenas os seus vultos.
Sentou-se na cama e ele sentou-se atrás dela. Começou a beijar-lhe os ombros e ela pôde sentir o calor da sua respiração e as suas mãos nos seus braços.
Despiu-lhe a camisola e tirou-lhe o soutien. Puxou-a para si e apertou-a nos seus braços. Deitou-a…e as suas mãos deslizaram debaixo da saia dela e pela primeira vez desde há muito tempo ela pôde sentir paixão, vontade, desejo…e beijou-o.
Quando acabou respirou fundo e sentiu-se bem.
Olhou-a e viu uma miúda...muito mais nova do que aquelas com quem tinha estado até então.
Aqueles olhos pretos em forma de amêndoa, no entanto, não enganavam ninguém: tinham sofrido muito e deixavam transparecer toda essa dor, o que a fazia parecer frágil, inocente, e tudo isso lhe conferia ainda mais sensualidade e fazia-o desejá-la ainda mais.

3 Comments:

Blogger Blake Scarfould said...

olha a minha bailarina favorita, tas a escrever bem isto vai sair um livro ou algo parecido do tipo historias da noite ta giro ta giro va fika e continua tou a gostar!!

3:03 PM  
Blogger crush said...

Mais um grande texto. Prepara-te para escreveres um livro. Junta tudo e terás um livro. Nem que seja de um só exemplar. Mas és bem capaz de criar um livro.

Beijinhos grandes loira.

5:55 PM  
Blogger Queen of Darkness said...

obrigado a todos os meus amigos k m dao força para aquilo que escrevo e muito obrigado por todas as criticas CONSTRUTIVAS k têm feito.

5:19 PM  

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