Thursday, November 09, 2006


Entraram no quarto. Um quarto bonito com vista para a cidade iluminada.
Sentaram-se na cama, frente a frente. Olharam-se nos olhos. Ele levantou a mão e fez-lhe uma festa na cara tal como era costume há uns tempos atrás.
Aproximou-se dela e beijo-a com calma, carinho, como ela há muito tempo não sentia. Quantas mulheres depois dela, ele teria beijado assim? Não! Outra vez não! Não ia voltar a pensar nisso.
Deixou-se levar…ele deitou-a lentamente, despiu-a lentamente, tocou-lhe com calma como sempre fizera e ela pode sentir de novo o seu calor, o seu cheiro, tão agradável como sempre, tão familiar, tão genuíno, tão puro…
Não disseram uma palavra.
Mantiveram-se deitados, bem juntos, sentindo a respiração ofegante um do outro.
Sentia-se bem, feliz como há muito não estava.
Antes de adormecer disse: - Amo-te querido, sempre amei.
Viu-o sorrir e sentiu os seus lábios molhados nos dela: - Eu também querida.

Acordou. Viu a luz tímida da manhã que se espalhava pelas paredes do quarto, virou-se para o outro lado da cama e viu apenas os lençóis amarrotados, sinal de que o que acontecera na noite anterior não tinha sido apenas um sonho.
Sentou-se na cama. Tinha esperança que ele estivesse na casa-de-banho. Abriu a porta, mas ele não estava lá.
Viu, então, na mesa-de-cabeceira uma nota de 50 €.
Era isso? Só isso? Ela não significava mais nada para ele a não ser uma nota de 50 €?
Chorou. Chorou muito. Sentia-se mais humilhada que nunca e aquilo custava-lhe, mais que qualquer outra coisa, por saber que aquele era o homem k ela amava, o homem com que m tinha partilhado o seu corpo pela primeira vez, o primeiro homem a quem se houvera entregue e com quem tinha namorado cinco anos…e ele tinha-se ido embora, deixando apenas uma nota tal como fizera da ultima vez quando partira deixando apenas memórias…


Abriu a porta do solitário apartamento e entrou. Gostava imenso da sua decoração, tinha feito um bom trabalho.: era uma mistura entre o clássico e o moderno utilizando cores fortes e quentes. Tinha uma sala espaçosa com uma mesa ao centro.
Foi cumprimentar os seus bichinhos de companhia. Adorava-os mais que a qualquer outra coisa. Eram dois Porcos da Índia, um macho e uma fêmea, a Pandora e o Nóstradamos, ambos pretos. Deu-lhes de comida e soltou-os para que andassem livres pela casa, uma vez que não sujavam nada.
Sentou-se no quarto a trabalhar. Tinha testes para corrigir.
Os miúdos a quem dava aulas eram a sua vida, eram aquilo que realmente importava já que neles, considerava, estavam depositadas as esperanças futuras.
Exigia tanto deles como de si própria e, por isso, havia que ter os trabalhos feitos a tempo.
Acendeu a televisão para ter alguma coisa que fizesse barulho naquela casa silenciosa.
Já eram quase 7 horas, tinha que ir comer qualquer coisa para não ir para o serviço em jejum.